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FRANCISCO LARANJO - SOLIDÃO E UTOPIA

"Um livro sobre um artista será como uma exposição, moldura específica que provém de escolhas e de posicionamentos, de determinismos e de contingências.Como uma exposição, um livro mostra mediante pressupostos que todos aprendemos a aceitar, estabelecem-se a sequência, as vizinhanças, o itinerário e abrem-se passagens e janelas, umas dando para o passado e outras voltadas ao futuro." Desde as primeiras críticas ao Salon, por Diderot, que o texto replicava aquele modelo de divulgação artística, tornando-se exposição escrita.

Livro e exposição começam no atelier, “espaço mental”, como Francisco Laranjo o define em entrevista: “o atelier pode ser uma situação de itinerância, qualquer coisa que tem a ver com o vaguear, com o tentar descobrir em lugares menos formais, razões para os trabalhos. Neste caso, o atelier é onde se estiver”.
O atelier é também um elemento com função instrumental, como qualquer outro instrumento específico da pintura e do desenho. Instrumental pelo magma de referências que congrega e de interesses que nele convergem sob a forma de livros, catálogos, fotografias, CD’s, objectos etnográficos, recordações de viagens, documentos oficiais, correspondência, notas avulsas em arquivos de organização pessoal, insubordinada, resistente a qualquer catalogação padronizada.
Prontos a serem usados a qualquer momento.
E finalmente, é um espaço físico, casa esguia na baixa portuense, refúgio de manhãs e fins de tarde onde acontece, não apenas a pintura, mas a reflexão, o estudo, a leitura, a música."



artigos | by Dr. Radut